Monday, May 17, 2010

Outrage (competição)



por Kleber Mendonça Filho
cinemascopio@gmail.com


Outrage (competição) não deixa de ser uma decepção vinda de Tóquio, onde o autor e ator Takeshi Kitano, o cara dura mais interessante do cinema internacional, nos dá um incrível banho de sangue que chega a lembrar pornografia. Ignoramos a historinha e já sabemos que vão partir para o BANG!! POW!! CAPOW!!” a cada quatro minutos, de relógio. E que sons de tiros... que som de um cutelo decepando dedos...

Envolvimento, caracterizações ou observações sobre a máfia japonesa são ejetadas para dar lugar a um toma-lá-da-cá draconiano a partir do momento em que uma família decide dar um susto numa outra família. O espectador logo ficará dormente por esforço repetido.

Pela monotonia, freqüência do sangue e criatividade das execuções, lembra Sexta-Feira 13, embora o assassino seja qualquer um, em qualquer lugar. Vez ou outra, a brutalidade é engraçada e absurda (uma vitima é pega na cadeira do dentista), mas na maioria das vezes apenas desagradável e vazia.

Do ponto de vista cultural, é interessante observar que a idéia de racismo e uma mínima correção política ainda não chegou ao Japão. Acontece que a Yakuza despeja a embaixada do Gabão em Tóquio para fazer seu escritorio, seu embaixador um homem negro retratado de forma caricata, QI inexistente e nenhum respeito próprio em cenas pensadas como comédia. Silêncio absoluto da platéia ocidental em Cannes. Se a Yakuza é racista, faria parte da história, mas fica a dúvida sobre o olhar do próprio filme.

Filme visto na Debussy, 16 Maio 2010

1 comment:

  1. Para você que aí fica
    Vou te dar uma dica
    Além de sonso e vagabundo
    Sou Cineasta Diretor

    O papai é uma pamonha
    Mas me deu muita maconha
    Deus não dá noz nem voz
    a quem não tem dentes
    Se você ainda não sabe
    Vivo de Festival de Tiradentes.

    P'ra garantir minhas mesadas
    Fixo nas mais caras pousadas
    Para divulgar meu Aquarius
    Sou capaz de roubar um Stradivarius
    Onde há dinheiro público
    Sou como o Mustela putorius
    Juro por tudo que é bíblico

    Mando essa antes que acabe:
    Vivo da Lei Rouanet
    Sou do PeTê
    Não vejo empecilho
    Sou Kleber Mendonça Filho

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