
RUBBER TEASER 1 ! from oizo mr on Vimeo.
por Kleber Mendonça Filho
cinemascopio@gmail.com
Três citações ao cinema de gênero, exemplares curiosos nas mostras paralelas. Destaque para o “argentino noir” Carancho, de Pablo Trapero, “o filme do pneu assassino” Rubber, do francês Quentin Dupieux, e “o filme de terror uruguaio” La Casa Muda, de Gustavo Hernandez. Todos foram apresentados com essas aspas redutoras pela imprensa e são frutos de novas imagens captadas com as últimas câmeras digitais. O cinema moderno continua revendo gêneros clássicos sob novas configurações.
Em Carancho, Trapero (Leonera, que competiu dois anos atrás) nos dá uma versão atual do film noir, onde seus personagens são falhos e apaixonados. Ricardo Darin (de O Segredo dos Seus Olhos) e Martina Gusman (de Leonera, esposa do diretor) se conhecem no mundo dos acidentes de carro nas ruas de Buenos Aires. Ela é paramédica de ambulância, ele um advogado que aproveita-se das vitimas para montar esquemas de compensação junto às seguradoras.
É um thriller noturno filmado com a câmera Red de altíssima definição, deixando o filme com aspecto de vídeo algo de estéril. Há, no entanto, enorme energia de todos os envolvidos. Coloca Trapero no que talvez seja uma fase de transição ao fazer um filme mais comercial, mas ainda muito bem realizado (Carancho é um sucesso na Argentina, perdendo apenas para Iron Man 2, atualmente). O filme leva também a crer que os argentinos tem um super astro local inquestionável para o seu cinema, no rosto de Darin.
Rubber, candidato a filme cult-gréia 2010 passou na Semana da Critica e mostra as aventuras de um pneu velho, abandonado no deserto californiano. Ele ganha vida e livre arbítrio, saindo pela estrada a desintegrar quem encontra pela frente, de passarinhos a seres humanos. O mote do filme é ser “sem noção” (no reason), o que talvez explique o porquê de o bendito pneu não atropelar ninguém, mas matar por concentrada telepatia. É ver para crer, embora fique a sensação de que se fosse um curta, seria melhor.
E o que dizer do bem sucedido La Casa Muda, uma raridade por ter sido feito no Uruguai, com seis mil dólares de orçamento, e utilizando a mesma câmera fotográfica Cânon 5D usada em Rubber? É prova de que há enorme potencial para que realizadores filmem seus filmes de maneira simples e qualidade incrível. La Casa Muda foi projetado em alta definição na Quinzena dos Realizadores, e passou perfeito.
O filme é mais um micro-thriller explorando o mito da casa mal assombrada. Dividido em uma dezena de econômicos planos seqüência, Hernandez fez um filme eficaz, não exatamente revolucionário, que começou a vender bem no mercado apos sua passagem pela Quinzena, garantindo versão em película e distribuição em diversos paises.