Friday, October 9, 2009

Apenas o Fim


por Kleber Mendonça Filho
cinemascopio@gmail.com

Parece existir uma boa vontade misturada com certo fascínio pelo cinema feito com poucos recursos, e por um realizador muito jovem, ou jovem demais. O caso de Apenas o Fim (Brasil, 2009), do carioca Matheus Souza, 21 anos, é claro. Seu filminho agregou boca a boca desde que exibiu pela primeira vez no Festival do Rio, ano passado, usando a internet do Facebook, Twitter, Orkut, MySpace e YouTube como divulgação. Hoje, uma sala de cinema não revela mais um filme, apenas o traz para que toda a informação circulada seja checada. É um mundo estranho esse.

Apenas um Fim é um filme digital, sem cópias em 35mm. Souza o fez como aparente instantâneo do momento atual, na faculdade onde estuda. Talvez não tenha pensado em fazer esse instantâneo que o filme é, mas fica a sensação. Foi feito dentro da Universidade Católica do Rio (PUC), cujo campus arborizado é um dos personagens da trama mínima.

Um certo dia, chegando na PUC e correndo para fazer uma prova, um garoto (Gregorio Duvivier) ouve da namorada (Erika Mader) que a relação acabou. O set-up não poderia ser mais direto, pois estamos com cinco minutos de filme e eles terão algo em torno de uma hora para nos dar uma DR.

O lero deles flui de maneira naturalista. Parece melhorar com a entrada de pelo menos uma terceira pessoa em cena, como o amigo mala. Mesmo assim, permanece uma sensação constante de ingenuidade em Apenas o Fim. Os personagens verdes cospem frases feitas e moderninhas, pinçadas de séries americanas, internet e videogames. É meio irritante.

Com muito boa vontade, a linguagem do filme pode ser vista como razoável e uma tentativa de ventilar a narrativa durante a projeção. Há travellings e planos fixos sendo alternados, mas o apoio do espectador poderá ser desgastado com a montagem final, um horror de açúcar que deveria ter sido evitado a todo custo.

Seja como for, o filme funciona, a platéia alvo parece se identificar. Souza expõe seus sentimentos, suas influências (Woody Allen, Richard Linklater, Domingos de Oliveira) de maneira pura, confirmando que o cinema carioca tem essa vocação inconteste para o docinho romântico.

A melhor coisa que pode-se dizer desse jovem filme carioca é a sensação aqui sugerida de que, ao crescer e atingir a maturidade, Matheus não parece querer ser Globo, mas apenas uma versão mais madura do que ele consome com tanto gosto. Isso me parece bom.

Filme visto no Cinema da Fundação, Recife, Setembro 2009

1 comment:

sub-literatura said...

nossa... filme horroroso!