Monday, May 18, 2009

50% ?


Estou na coletiva do Von Trier. Traduzi isso aqui agora do material de imprensa distribuído. Chama-se A Confissão do Diretor. Hm....


"Dois anos atrás, eu sofri uma depressão. Foi uma experiência nova para mim. Tudo, não importava o quê, me parecia sem importância, trivial, não conseguia trabalhar.

Seis meses depois, como um exercício, escrevi um roteiro. Foi um tipo de terapia, mas também uma procura, um teste para ver se conseguiria fazer um outro filme.

O roteiro foi finalizado e filmado sem muito entusiasmo, feito de uma maneira que usou aproximadamente 50% das minhas capacidades físicas e intelectuais.

O trabalho no roteiro não seguiu meu modus operandi de sempre. Cenas foram acrescentadas sem nenhum motivo. Imagens foram compostas sem lógica ou reflexão dramática. Elas geralmente vinham de sonhos que estava tendo na época, ou de sonhos que tinha tido em outros momentos da minha vida.

Mais uma vez, o assunto era a "natureza", mas de uma maneira diferente e mais direta do que antes. Mais pessoal.

O filme não contém um código moral específico e contém o que alguns poderão chamar de "necessidades básicas mínimas" em termos de trama.

Eu lia Strindberg quando era jovem. Li com entusiasmo o que escreveu antes que ele foi para Paris onde virou alquimista e durante a sua fase lá... o período conhecido como "crise do inferno" - será que Anticristo foi a minha crise do inferno? Minha afinidade com Strindberg?

De qualquer forma, não tenho como pedir desculpas por Anticristo, além da minha crença absoluta no filme - o filme mais importante de toda a minha carreira!"

Lars Von Trier, Copenhagen, 25/3/09

10 comments:

Ricardo Lessa said...

Olha aí! O cinema como melhor terapia anti-depressiva. Poucas vezes um filme - que sempre surge da necessidade de seu autor em expor algo - foi tão essencialmente necessário como nesse caso. Pelo que li do filme do Von Trier em algumas publicações, me parece uma versão ainda mais chapada de Diabel, do Andrzej Zulawski.

valeska said...

Fiquei confusa com essa entrevista. (Acho que foi a intenção dele mesmo). Pede desculpa por um filme que ele não se identifica? Não reconhece, mas o julga necessário...?

valeska said...

Atá, 50% ...

Murilo said...

Esse Trier sempre intrigando...

Marcelo said...

Ele afirma que um filme que utilizou apenas 50% de suas capacidades artísticas e intelectuais é sua obra mais importante.

Talvez essa importância seja apenas pessoal, como um expurgo, uma terapia, um quarup etc., mas, considerando as críticas, não parece ser a obra mais importante dele para o público.

Afirma que não tem de pedir desculpas, mas ao falar nesses 50% parece tentar se explicar, se justificar, e isso é coisa de quem sente alguma culpa, de quem quer ser desculpado.

Lis said...

esse von trier é um chato sensacionalista (com inegáveis traços de genialidade, mas ainda assim um chato sensacionalista).

Rafael Carvalho said...

Também concordo com a Lis, o Von Trier pode traduzir muito bem sua genialidade em filmes excepcionais, mas quando se pronuncia soa tão egocêntrico e arrogante que nem devia ser levado a sério. O melhor mesmo é assistir aos filmes e só.

Só não sei se é pior que o Tarantino que já disse que seu Inglórios Bastardos é uma obra-prima e que vai ser indicado ao Oscar de roteiro original. O filme pode ser fodaço, mas não precisava sensacionalizar.

Eles precisavam assistir ao Crítico, do Kléber.

CinemaScópio said...

ele é muito engraçado.

"I am the best film director in the world", soltou essa hoje.

Paulo said...

Quando um diretor de cinema atua como uma "persona artista", provoca esse tipo de reação mesmo. Gosto de ver isso, o circo pegando fogo e os bombeiros de greve.Todo mundo discute, agita os neuronios, expõe opiniões, fraquezas, preconceitos...enfim, um barato.Melhor ainda é quando o filme que acompanha é bem bom..mas isso só saberei em breve (ou nao muito breve...who knows...)

Anonymous said...

Mas esse circo midiático de Cannes não tem importância nenhuma. Toda essa polêmica só dura 2 dias. Depois de amanhã aparece uma nova tolice. Filme que é bom, nada, né?